terça-feira, 23 de junho de 2009

Evolução tecnológica x Inclusão Digital [italo]

Você é da época do computador Pentium? Eu sou! Até tive! Um separador de águas na minha infância. O antes e o depois do meu Pentium. Esse foi meu primeiro contato com os computadores, que a pouco surgiam para os brasileiros em geral.

Nesse quesito, eu acredito que tive muita sorte. Fui um dos primeiros garotos da rua a ter um computador, uma pena que ainda era tudo muito novo. Eu tinha um computador, mas não sabia como usar. Tinha um computador, mas não tinha internet. Tinha um computador, mas eu ainda não fazia parte da Era Digital!

Antes de mais nada, é importante definir esse grupo ao qual eu não pertencia. A "Era Digital" é um período de tempo, que se estende até hoje, no qual as pessoas tornaram-se capazes de se conectar, trocar e produzir conhecimento através de equipamentos eletrônicos interativos, como o computador. Dito isso, sobra uma icógnita! Como se entra na "Era Digital"?

Todo o conceito de "Era Digital", de "pessoas conectadas", se deu por motivo das novas invenções do final do século XX e, principalmente, da forma como a "Inclusão Digital" ocorreu, possibilitando acesso das pessoas a tecnologia.
Desde antes do meu pentium, o processo de ensino, difusão e massificação dos computadores e equipamentos de informação já se dava em níveis variados. Também chamada de Inclusão Digital, esse processo permite o acesso das pessoas em geral, e não somente dos profissionais de tecnologia, à tecnologias de informação como um todo[wikipédia].

Mesmo sendo conceitualmente simples, "pessoas tendo acesso à tecnologia", a inclusão digital depende de alguns fatores para ocorrer. Pesquisadores e estudiosos em geral concordam, entretanto, que três pilares são essenciais [2]:
  1. TIC's
  2. Renda
  3. Educação
Esse tripé estrutural é na verdade bem lógico: os TIC's, ou centros de tecnologia, são núcleos responsáveis por divulgar e fomentar a tecnologia nas regiões em que atuam. Isso cria a visibilidade que a tecnologia precisa, em uma comunidade. As pessoas ficam cientes que ela existe, que é acessível e tem potencial[2]. Uma ação, que gera resultados imediatos, muito comum entre os TIC's é a promoção de cursos gratuitos entre nas comunidades próximas. O ITIC do Ceará é um exemplo muito atuante nesta área.A renda é, obviamente, o segundo apoio deste tripé. Sendo o Brasil um país de terceiro mundo, com desigualdades sociais fortes, a renda é um limitante grande para comunidades afastadas ou pobres que desejam ter acesso a tecnologia. Projetos como o Ilha Digital[4], do governo do Ceará, tentam burlar essa limitação, mas é bastante óbvio que um paleativo não deve ser usado como regra. As pessoas precisam ser capazes de se informatizar. Outro projeto, a nível nacional, que merece destaque, é o Computador para todos, que cria uma linha de crédito especial para a compra de computadores por famílias de baixa renda[wikipédia]. Uma iniciativa louvável do governo, diga-se de passagem.

Por último, temos a educação. Não adianta as pessoas serem informadas da tecnologia, conviverem com ela, terem acesso à mesma e não saberem utilizá-la. O governo brasileiro, por exemplo, tem investido muito nessa área, mas é um muito inadequado à escala continental do Brasil. O governo federal tem criado cursos online gratuitos para interessados, entretanto, toda a responsabilidade de ensino tecnológico necessária até a utilização do computador pelo usuário final para a apreciação de cursos do gênero ainda está deixada toda a cargo das escolas, que nem sempre conseguem dar o retorno esperado. Basicamente, ações efetivas na área de educação para inclusão digital tem ficado a cargo dos governos estaduais e iniciativas de prefeituras conscientes. Iniciativas como são bem caracterizadas pelos telecentros paulistanos[5].

Em pouco mais de 10 anos, de acordo com pesquisas recentes, o número de lares com computador, no Brasil, passou de 6,9% para 24%[3] o que é bom, mas completamente insuficiente. Espera-se que com a diminuição do preço dos computadores assim como o aumento da industrialização e produção de componentes digitais no Brasil, vide zona franca de Manaus, se possa melhorar esses números e níveis aceitáveis, possibilitante, pelo menos, a solidificação de uma das bases da Inclusão digital, que, talvez consiga, um dia, alcançar o ritmo da evolução tecnológica do mundo. Pelo menos, no quesito celular, o Brasil está muito bem[6], havendo previsões muito otimistas até para smartphones, que é uma tecnologia cara[7].

Bibliografia
[1] http://www.terra.com.br/istoe/digital/vidadigital.htm
[2] http://www.espacoacademico.com.br/024/24amsf.htm
[3] http://www.idbrasil.org.br/drupal/?q=node/23151
[4] http://inclusao.ibict.br/index.php/iniciativas-no-brasil/914-ilhas-digitais
[5] http://www.telecentros.sp.gov.br/
[6] http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u505981.shtml
[7] http://idgnow.uol.com.br/telecom/2007/07/24/idgnoticia.2007-07-24.4808755460/

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